Tendências da EAD são tema de debate na Candido Mendes
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A Educação a Distância (EAD) foi o tema de encerramento do 6º Encontro de Instituições de Ensino Superior do Estado do Rio de Janeiro, na segunda, 12 de março, na Universidade Candido Mendes, no Centro do Rio. As tecnologias e tendências, além de consórcios em EAD, foram discutidos por especialistas no tema: o diretor executivo do FGV Online, Stavros Xanthopoylos, e o diretor de EAD da Universidade Estácio de Sá, professor Pedro Graça. O mediador do debate foi João Roberto Moreira Alves, presidente do Ipae (Instituto de Pesquisas Avançadas em Educação).
O tema do representante do FGV Online foi o Open Course Ware Consortium (OCWC), um consórcio de instituições de ensino de diversos países que oferecem cursos e materiais didáticos de graça pela internet. Ele conta que, na instituição, a atuação online é apenas uma vertente do trabalho, que ajuda a quebrar a resistência apresentada pelo mercado em relação à educação a distância, aumentando a eficiência para o uso das ferramentas.
“É utilizar sistemas para o professor poder disponibilizar o material para acesso; chat com os alunos; provas. Este é um processo que não tem volta. É algo que veio para ficar com uma dimensão nova de comunicação”, afirmou, acrescentando que, atualmente, muitas empresas em outros países já preferem contratar profissionais que têm formação por EAD. “Em função da pessoa ser mais disciplinada, mais flexível e não ter medo da tecnologia”.
Xanthopoylos acredita que a falta de valorização para a EAD é um grande atraso do Brasil em relação a outros países, e chega a defender uma legislação única, ao invés de uma separação dos processos de educação. “A tecnologia nada mais é do que uma cesta de elementos. E vai depender de como você vai mixar isso de forma a criar um tempero próprio”.
Ele conta que a fundação começou a trabalhar com o OCWC em parceria com uma universidade da Califórnia, de forma piloto. E, a partir daí, passou a desenvolver seus projetos. Stavros disse que, de um trabalho que pode ser considerado social, passou a haver retorno de pessoas que começaram a fazer os cursos do consórcio e depois foram para os presenciais. “Atualmente, temos em torno de 100 mil visitantes por mês. Até o dia 9 de abril, tínhamos um total de 2,3 milhões de visitantes e 930 mil cadastros”.
Com esse altos números de procura, o FGV Online deu início a um processo de conhecimento do perfil dos usuários destes cursos, através de questionários, o que revelou, por exemplo, que a grande massa conheceu o curso através da própria internet. Mulheres e solteiros são maioria entre os usuários. E mais de 80% deles têm renda familiar de até R$2 mil. “Ou seja, uma faixa que não teria condição de estar em cursos regulares da FGV”.
Já o professor Pedro Graça, representante da Estácio de Sá, falou a respeito das tendências do mercado de EAD. Ele contou que, na universidade em que atua, o início do uso deste recurso ocorreu com a oferta de 20% das aulas em EAD, dentro dos cursos presenciais. “No piloto, tínhamos 500 alunos e hoje temos mais de 110 mil”.
Para que a nova modalidade fosse implementada, de acordo com o professor, foi preciso enfrentar as resistências de alunos e mestres, que não sabiam como iam participar do processo e chegaram a temer a extinção da profissão. Pedro Graça afirma que, atualmente, o próprio mercado se encarrega de desfazer as resistências, mas reclama da dificuldade para conseguir o credenciamento junto ao Ministério da Educação, além do custo para sua implementação.
“O formato de hoje, exigido pelo MEC, pode ser muito caro. Só entramos neste mercado porque já tínhamos a estrutura de capilaridade. Se fosse para introduzir do zero, não faríamos. O custo é irreal”. Sobre as tendências, ele cita as transmissões de aulas via telefone celular, com aplicativos e até mesmo jogos, além de recursos em 3D via internet. “Cada vez mais, trabalhamos com foco para que os alunos se interessem e interajam”.
Pedro Graça também ressalta a importância de algumas questões para o sucesso da EAD, como não pensar nela como uma forma de cortar gastos; acreditar, de fato, na metodologia; ver o professor como peça fundamental; treinar; e não ser refém de uma única tecnologia. “Tem que ir mudando de acordo com o mundo. Procuramos trazer, de cada recurso, algo positivo”.
Fonte: Folha Dirigida




